Em 1817, o médico James Parkinson descreveu pela primeira vez uma condição que chamou de “paralisia agitante”. Desde então, muitas pesquisas avançaram, mas a Doença de Parkinson segue desafiando a medicina, impactando milhões de pessoas no mundo. Na minha experiência com informações e casos clínicos, sei que o diagnóstico e acompanhamento adequados fazem toda a diferença no ritmo de progressão e na qualidade de vida.
O que é a doença de Parkinson?
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta o controle dos movimentos voluntários. Ela ocorre principalmente pela degeneração dos neurônios dopaminérgicos da substância negra, uma área profunda do cérebro, resultando em falta de dopamina no sistema nervoso central. Sem esse neurotransmissor, os movimentos se tornam lentos, rígidos e, muitas vezes, involuntários. Em minhas leituras, sempre vejo como é comum o impacto emocional e físico causado, já que cerca de 1% das pessoas acima dos 65 anos desenvolvem esse quadro, geralmente com início entre os 55 e 65 anos.
Entre os famosos diagnosticados com Parkinson, vários deram visibilidade à causa. Casos como Muhammad Ali, Salvador Dalí, Michael J. Fox, Papa João Paulo II, Katherine Hepburn e Mao Tsé-Tung mostram que ninguém está imune, mas também como é possível buscar tratamento e manter a autonomia ao longo dos anos.
Entendendo a tríade parkinsoniana e outros sintomas
Quando penso no Parkinson, logo me lembro da tríade de sintomas que define a doença:
- Bradicinesia: lentidão dos movimentos voluntários, uma das manifestações mais marcantes.
- Tremor de repouso: geralmente aparece nas mãos ou nos pés, “em moeda”, e tende a cessar com o movimento, retornando quando o corpo está parado.
- Rigidez muscular: dificuldade para relaxar a musculatura, causando dores e até posturas anormais.
O tremor no Parkinson reduz quando o paciente se movimenta e volta durante o repouso.
Mas os sinais vão além. Em atendimentos e debates com profissionais, observo ainda:
- Marcha parkinsoniana: passos curtos, arrastados, com inclinação do tronco para frente.
- Fala monótona e sem variação de volume.
- Micrografia: com o tempo, a escrita vai ficando miúda.
- Distúrbios vegetativos, como constipação ou suor excessivo.
- Comorbidades: depressão, ansiedade e, em casos avançados, demência.
No blog sobre psicologia da Singular, há aprofundamentos sobre acompanhamento emocional nesses quadros, ressaltando como o suporte psicológico pode ser fundamental diante de um diagnóstico de Parkinson.
Quais são as principais causas do Parkinson?
Conhecendo pacientes e lendo relatos médicos, percebo um consenso: a degeneração dos neurônios dopaminérgicos é o grande responsável pelo quadro. Essa perda afeta profundamente a circulação e produção da dopamina, comprometendo todo o controle motor.
Os fatores de risco mais comuns são:
- Envelhecimento: pico entre os 55 e 65 anos.
- Genética: histórico familiar pode aumentar as chances.
- Exposição ambiental: contato com agrotóxicos, solventes ou morar perto de indústrias químicas.
- Medicamentos: alguns remédios, como neurolépticos, metoclopramida, cinarizina e flunarizina, podem induzir o chamado parkinsonismo secundário.

Por vezes, identificar a causa precisa pode não ser simples, mas entender esses fatores é chave para um acompanhamento mais direcionado e preventivo.
Tratamento medicamentoso: como age e quais são os principais remédios?
Sei que ao lidar com um diagnóstico desses, o grande objetivo é aliviar sintomas motores e manter a qualidade de vida. O tratamento medicamentoso busca equilibrar a falta de dopamina e o excesso relativo de acetilcolina no cérebro. Vou detalhar os grupos de medicamentos mais utilizados atualmente pelo que aprendi com especialistas:
Levodopa: a base do tratamento
Desde 1967, a Levodopa é considerada o pilar no controle do Parkinson. Ela funciona como precursora da dopamina, conseguindo atravessar a barreira hematoencefálica e sendo então convertida em dopamina no cérebro. Para potencializar o efeito e evitar que seja degradada antes de alcançar o cérebro, associa-se carbidopa ou benserazida. Marcas conhecidas incluem Prolopa®, Sinemet®, Cronomet® e Levocarb®.
- Absorção: competitiva com proteínas e vitamina B6, por isso indica-se tomar uma hora antes das refeições.
- Meia-vida: curta – por isso o uso fracionado diariamente, o que exige disciplina do paciente.
- Efeitos colaterais: náuseas, hipotensão, discinesias (movimentos involuntários).
Costumo enfatizar a importância de orientação médica regular, porque o corpo pode desenvolver flutuações motoras e respostas variáveis ao longo do tempo.
Selegilina: protegendo a dopamina
A Selegilina é um inibidor seletivo da enzima MAO-B, responsável por degradar a dopamina. Ela prolonga a ação da dopamina sem causar a chamada “reação do queijo”, um efeito adverso importante de outros inibidores de MAO. Comercializada como Niar®, Jumexil®, Elepril® e Deprilan®. Entre seus possíveis efeitos adversos estão insônia e dor de cabeça.
Agonistas dopaminérgicos diretos
Medicamentos como Bromocriptina (Parlodel®), Pergolida (Celance®) e Lisuride (Dopergin®) simulam a ação da dopamina ao se ligarem diretamente nos seus receptores cerebrais. São menos potentes que a Levodopa, mas têm espaço relevante:
- Início precoce do tratamento
- Menor risco de flutuações motoras inicialmente
- Pode causar náuseas, confusão mental e alucinações (sobretudo em idosos).
Amantadina: um antiviral com novo papel
Menos conhecida fora dos consultórios, a Amantadina (Mantidan®) aumenta a liberação de dopamina e reduz discinesias, atuando de forma moderada. Normalmente é prescrita junto a outros medicamentos, principalmente em estágios intermediários da doença. Com o passar dos meses, sua eficácia pode diminuir e há risco de efeitos como confusão e hipotensão.
Antagonistas colinérgicos: mais restritos
Nesta categoria estão o Biperideno (Akineton®) e o Trihexifenidil (Artane®), que bloqueiam a ação da acetilcolina para tentar restabelecer o equilíbrio entre os neurotransmissores cerebrais. São mais recomendados para adultos jovens ou para casos de parkinsonismo induzido por medicamentos, porque podem causar boca seca, visão turva, retenção urinária e confusão – efeitos que limitam seu uso em idosos.

Buscando qualidade de vida com a combinação de cuidados
Apesar de não haver cura, vejo que os avanços nos tratamentos, aliados ao acompanhamento médico, fisioterápico e psicológico, transformam vidas. O uso racional dos remédios, a compreensão dos mecanismos de ação e adaptações de rotina dão autonomia aos pacientes e suas famílias.
Ferramentas como o diário compartilhado no acompanhamento psicológico são recursos poderosos para monitorar sintomas emocionais e de adaptação, algo fundamental no Parkinson.
Se você quiser ler outras informações relevantes para auxiliar nesse processo, há conteúdos sobre telepsicologia, registros e estratégias de cuidado em categorias de psicologia integradas ao Singular e também no guia prático de atendimento remoto.
No Singular, acredito que unir tecnologias, acompanhamento próximo e informação confiável é um passo fundamental para a autonomia das pessoas com Parkinson e suas famílias. Explore as possibilidades do nosso sistema de gestão para clínicas de psicologia. Assim, garantimos um acompanhamento completo de sintomas, tratamentos, lembretes de consultas e relatórios evolutivos adequados a cada perfil e necessidade.
Conclusão
Em resumo, a Doença de Parkinson é uma condição de grande impacto social, físico e psicológico. Conhecer seus sintomas, fatores de risco e opções de tratamento medicamentoso abre portas para o diagnóstico precoce e intervenções adequadas, com ganho real em qualidade de vida. Se você conhece alguém convivendo com Parkinson, incentive-o a buscar suporte multidisciplinar especializado e, se for profissional da saúde, facilite e registre essas informações de maneira organizada e acessível, aproveitando recursos como Singular.
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Perguntas frequentes
O que é a doença de Parkinson?
Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo progressivo que afeta principalmente o controle dos movimentos, causado pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra do cérebro.
Quais são os sintomas do Parkinson?
Os sintomas principais formam a “tríade parkinsoniana”: bradicinesia (lentidão), tremor em repouso e rigidez muscular. Também pode haver marcha arrastada, micrografia, fala monótona, distúrbios vegetativos e, em alguns casos, alterações emocionais e cognitivas.
Como é feito o tratamento medicamentoso?
O tratamento visa equilibrar os neurotransmissores no cérebro, especialmente dopamina e acetilcolina, utilizando classes de medicamentos como Levodopa (com carbidopa ou benserazida), Selegilina, agonistas dopaminérgicos e, em casos selecionados, amantadina ou antagonistas colinérgicos, sempre sob acompanhamento médico.
Quais as causas do Parkinson?
As causas estão relacionadas a degeneração dos neurônios produtores de dopamina, com riscos aumentados pelo envelhecimento, fatores genéticos, exposição ambiental a substâncias tóxicas e possível relação com o uso de alguns medicamentos.
Onde buscar ajuda para Parkinson?
A orientação é procurar um neurologista para diagnóstico e condução do tratamento. O suporte multiprofissional, que pode incluir psicólogo, fisioterapeuta e uso de ferramentas digitais como as do Singular, auxilia no acompanhamento completo e contínuo dos pacientes.
